André Palhano Foto: Rodrigo Elizeu / Believe.Earth

Da economia ao próprio negócio: a trajetória de André Palhano, da Virada Sustentável

Em entrevista a bluevision, o jornalista e empreendedor social André Palhano conta como saiu do jornalismo econômico e aprendeu que era preciso correr atrás do seu propósito

Nascido em Piracicaba, interior de São Paulo, André Palhano, hoje com 42 anos, é um jornalista que, em busca de seu propósito de vida, decidiu empreender e criou a Virada Sustentável, um evento que acontece em várias cidades do Brasil desde 2011. Em 2018, a série de eventos começa em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que recebe atividades que buscam promover os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU entre os dias 6 e 8 de abril. A edição seguinte da Virada Sustentável acontece no Rio de Janeiro e será realizada de 8 a 10 de junho de 2018. Já São Paulo recebe a oitava edição do evento na cidade entre os dias 23 e 26 de agosto. Salvador também terá a sua edição anual no segundo semestre. Outras edições pelo País estão sendo negociadas.

Jornalista com passagem por grandes veículos como Agência Estado, Veja e Folha de S.Paulo, Palhano se especializou em economia antes de se dedicar ao campo da sustentabilidade. "Quando você começa a entender a economia e como se relacionam política cambial, monetária e fiscal, é legal que você também começa a entender como a gente se organiza como sociedade", contou ao Museu da Pessoa.

Foi, no entanto, uma crise de pânico durante uma viagem aos Estados Unidos que o despertou para seu lado mais sensível. "Fui procurar -- e nunca tinha dado importância porque era super cético -- alguns trabalhos mais holísticos, de espiritualidade. Então fui desde yoga e meditação à respiração holotrópica, e isso abriu minha cabeça. Realmente foi como se eu tivesse conhecido outro mundo. Eu vivia naquele mundinho do mercado, da gravata, do dinheiro e, de repente, minha visão se abriu para um outro mundo numa magnitude impressionante", contou.

Para o empreendedor social, o aspecto macro da Economia também existe na Sustentabilidade, que vai muito além das questões ligadas ao meio ambiente. E foi para divulgar essa amplitude do assunto que ele criou, em 2011, a primeira Virada Sustentável, em São Paulo, evento que hoje está presente em várias cidades do Brasil.

Confira abaixo a entrevista que bluevision fez com o jornalista.

bluevision - Por que você decidiu ser jornalista depois de abandonar o Direito?

André Palhano - Eu decidi mudar para o jornalismo porque é uma profissão em que você atua em prol da sociedade mais diretamente. A gente tem essa visão do Direito também, uma área tão importante, mas acho que no jornalismo isso está posto de maneira mais clara e direta.

Bluevision - O que a síndrome do pânico te ensinou? Conte mais sobre o episódio.

André - Esse momento difícil pelo qual eu passei -- e tanta gente passa -- me ensinou que é muito importante você trabalhar e ter a sua vida mais alinhada com um propósito, com o que você quer fazer, de fato, e não apenas com o que dizem para você fazer. Apesar de ter sido uma experiência bastante difícil, realmente mudou a minha visão de mundo, e, se não tivesse acontecido, certamente não estaria hoje tão feliz e alinhado com o que eu faço na vida, trabalhando com esse propósito de tornar a sociedade um pouco melhor.

Bluevision - Como a sustentabilidade entrou na sua vida?

André - A sustentabilidade entrou na minha através de um convite da Folha de S.Paulo para escrever uma coluna sobre o assunto no caderno de economia. Eu pensei que era um jornalista de economia, que não tinha o que falar sobre mico-leão dourado e plantinhas, mas é incrível como você descobre que esse é um tema muito mais amplo, e envolve vários outros temas. É um assunto que tem, inclusive, uma lógica econômica irreparável. É uma coisa quase óbvia do ponto de vista do nosso avanço civilizatório, e aí, claro, você fica encantado com o tema.

bluevision - E como foi se tornar um empreendedor social?

André - Não foi uma tarefa fácil. Exige bastante coragem, principalmente no Brasil, mas se você está realmente alinhado e com propósito, a missão que você tem nesse mundo, isso torna as coisas mais fáceis e as dificuldades se tornam muito menores.

bluevision - Qual o principal desafio de ter um negócio de impacto social no Brasil?

André - Um negócio de impacto social é ainda algo muito recente em nosso País, então é muito difícil, especialmente quando você lida com governo, que as pessoas entendam que você está gerando esse impacto social positivo. Essa talvez ainda seja uma das principais dificuldades deste tema no Brasil, que ainda está engatinhando. Não há uma diferenciação no que você faz, seja isso social ou não.

bluevision - Como surgiu a ideia da Virada Sustentável e como você a conceitua?

André - A ideia da Virada surgiu a partir de uma conversa entre eu e a Mariana Amaral no sentido de que as campanhas ligadas a conscientização e educação sobre o tema eram muito carregadas, pesadas, ou imperativas no sentido de "faça isso ou faça aquilo, seja isso ou seja aquilo". Então pensamos em como fazer desse tema tão árido uma coisa mais atrativa, mais sedutora. E daí veio a ideia de fazer um festival essencialmente artístico, que tenha exposições, música, cinema, teatro e contação de história e que tenha como conteúdo principal os diversos temas da sustentabilidade.

Hoje, a Virada agrega outras frentes, como a de conhecimento, com as palestras, debates, seminários, e também a de ação, onde estão as atividades, seja bicicletada, caminhada, revitalização de espaços e outros tantos. Ela funciona como uma grande campanha de educação para o tema, com esse viés de alegria e positividade, tentando assim ampliar o número de pessoas que se mobilizam e se engajam em torno desse tema. Além, é claro, de convidar os diversos atores, organizações que já atuam nas diferentes cidades para também fazer parte dessa grande festa, desse grande festival.

bluevision - Qual o principal desafio de levar o evento para cidades tão diferentes?

André - Lidar com cidades tão diferentes, como Salvador, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro é, justamente, o grande desafio. Para isso, a gente criou uma metodologia para respeitar não só essas diferenças, mas as características de cada local. Não adianta ir à Manaus e fazer um evento que trate sobre poluição do ar, porque esta não é uma questão de sustentabilidade em Manaus, pelo menos não por enquanto.

Então a ideia é mapear todos os temas que dizem respeito aquele território, assim como os atores que estão transformando o local para melhor. Aí você consegue ter a mesma característica de evento, mas que ele seja essencialmente local, não apenas o mesmo evento sendo transferido de uma cidade para outra.

bluevision - O que a Virada te ensinou sobre o Brasil em termos de sustentabilidade?

André - Me ensinou que, independentemente de onde você está, do tamanho da cidade onde você está tem muita gente trabalhando para tornar o Brasil melhor. É impressionante o quanto a gente encontra grupos, organizações, coletivos, pessoas que estão realmente fazendo a diferença, seja por meio de projetos, ou por meio de parcerias com setor público e privado. Também tem muita gente atuando na área de educação. É impressionante como tem gente boa, e isso nos deixa bastante otimistas. Nós temos uma visão muito privilegiada de um Brasil que dá certo, um Brasil que avança e que vai para frente. Este talvez seja o principal ensinamento.

bluevision - Você diz que o que é falado sobre sustentabilidade muitas vezes é estereotipado. O que é sustentabilidade para você?

André - Há um estereótipo da sustentabilidade ligado apenas às questões ambientais. Mas acho que, hoje, a sustentabilidade é um conceito mais oficial e é bem representada pela ideia de desenvolvimento sustentável, que é um modelo de desenvolvimento que atende às atuais necessidades da nossa geração sem comprometer as futuras gerações. Isso, traduzido de uma maneira mais objetiva, encontra a melhor representação nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, não apenas porque ali estão todas as causas e desafios que a gente tem neste nosso mundo, mas também por ser a agenda mais representativa assinada por tantos países sob a coordenação da ONU.

bluevision - Você diz que o mundo melhor com o qual sonhamos já foi plantado. Você pode dar exemplos do que já existe e só precisa de cuidados?

André - Não tenho dúvida de que esse mundo já foi plantado. Basta você viajar por este Brasil e conhecer tanta gente que está fazendo dos desafios, as soluções. Seja a turma que trabalha com a questão da crise hídrica, desenvolvendo as mais diversas soluções inteligentes para captação de água e reúso de água; seja a turma que está trabalhando com reciclagem e economia circular, mostrando que o lixo é, na verdade, um recurso econômico bastante aproveitável.

Tem tanta gente lutando e mostrando que você pode reduzir a desigualdade apenas com inclusão, apenas lidando de maneira igual com pessoas independentemente da classe social. Acho que dá para ficar bastante otimista vendo que essas sementes já estão plantadas. E é claro, percebendo, também, que a semente é muito mais que pessoas, as sementes são parte de um avanço civilizatório. É tão óbvio o caminho que a gente tem de seguir. Seria muita burrice de nossa parte a gente deixar de enxergar isso.

Como você pode participar

Aproveite a chegada da Virada Sustentável à sua cidade para cumprir seu papel de cidadão consciente que assume a responsabilidade de construir o futuro sustentável que queremos. Participe das atividades da Virada, conheça boas práticas sustentáveis e acesse o calendário nacional do evento no viradasustentavel.org.br.

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A Braskem apoia a Virada Sustentável por que vê, no evento, uma oportunidade para o compartilhamento de ideias e experiências que fazem a diferença. Trata-se de um momento em que o cidadão entra em contato com atitudes simples e ao alcance de todos que colaboram para a construção de um futuro sustentável.

A Braskem é a principal patrocinadora da Virada Sustentável e apoia a iniciativa desde a primeira edição, em São Paulo. A empresa patrocina também as Viradas de Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador desde as suas primeiras edições. O evento tem como objetivo ampliar a informação sobre sustentabilidade a partir de uma abordagem que usa a arte e a cultura como principais ferramentas de conscientização.